quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Tratamento com células-tronco traz esperança a paraplégicos

Um acidente de carro há 18 anos mudou por completo a vida do engenheiro químico paulistano Alexandre Baroni. Hoje, com 42 anos, Alexandre ainda se lembra com riqueza de detalhes quando seu carro capotou por algumas vezes após ele ter pegado no sono ao volante. Com o impacto da batida, o capô afundou e comprimiu sua cabeça, causando-lhe uma lesão completa na 5ª vértebra cervical. Alexandre ficou tetraplégico. Após algum tempo de espera para tentar readquirir os movimentos, mas sem sucesso, o engenheiro se rendeu à sua nova condição de vida, passar o resto dos dias sob uma cadeira de rodas.

Mas o que poderia estar tachado para ser definitivo, tanto para ele como para milhares de outras pessoas com paraplegia, que têm como o grande sonho poder um dia voltar a andar, já há uma esperança para um recomeço. Novas conquistas na medicina já estão sendo alcançadas em pesquisas com células-tronco, realizadas por um grupo de médicos baianos. Depois de muitos meses desenvolvendo o trabalho em cães e gatos com a deficiência física, onde os testes preliminares foram considerados bastante satisfatórios, agora, com pioneirismo no País, será a vez de realizar os testes clínicos em humanos.
Vinte pacientes voluntários participarão, já a partir do mês de agosto, do protocolo de pesquisa com células-tronco de medula óssea, que está sendo realizado pelo Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC), em Salvador (BA).

De acordo com a coordenadora do projeto, a imunologista Milena Soares, cada pessoa selecionada terá seu material colhido do próprio osso da bacia, depois as células irão para o laboratório para cultivo e testes. Em seguida, o paciente irá novamente para cirurgia, mas dessa vez para a inserção das células na área da coluna que foi fraturada. “A partir desta fase, cada participante da pesquisa passará por um intenso programa de fisioterapia para reabilitação. No total, esse trabalho terá dois anos e a equipe multidiscilpinar envolvida no projeto está bastante otimista”, declara a pesquisadora.

Segundo o neurocirurgião Marcus Vinícius, que faz parte da equipe médica do projeto e é o responsável pelo transplante de células, esse trabalho é a ponta do iceberg e muitas outras pesquisas serão realizadas a partir dos resultados desses primeiros testes. “Estamos começando uma estrada, e temos muito caminho a percorrer. Apesar de vários estudos e vários tratamentos, até o momento não existe nada na medicina que resolva o problema, nenhum leva a algum resultado. E estamos tentando gerar um”, pontua Marcus Vinícius.

Alexandre Baroni, que saiu de São Paulo há dois anos para assumir em Salvador o cargo de Coordenador Executivo dos Direitos de Pessoas com deficiência do Estado da Bahia, fala sobre a importância do Brasil dar esse passo em uma pesquisa tão importante. “Se nosso país não avançar nas pesquisas, principalmente com células-tronco, elas serão deitas lá fora. E tudo será mais difícil e demorado até chegar aqui. Assim como eu, todos os que passam pelo problema esperamos êxito e que esse trabalho possa trazer melhor qualidade de vida para nós deficientes. A gente aprende a viver em novas condições, mas é indiscutível que se a gente puder, sai da cadeira de rodas”, declara.

O neurocirurgião comenta que ainda há vagas para voluntários, pois para esse primeiro momento há uma série de pré-requisitos, a exemplo da lesão não ter sido ocasionada por arma de fogo ou algum material perfurante, e esta ter mais de seis meses. ¿Os interessados podem se inscrever por meio do email ticiana@cbtc-hsr.org¿, recomenda o médico. A pesquisa é realizada pelo Monte Tabor/Hospital São Rafael, em parceria com o Hospital Espanhol, a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e o Centro Universitário da Bahia e é financiada pelo Ministério da Saúde.

Pesquisa ajudará portadores da Doença de Chagas

Além de portadores de paraplegia, o Centro de Biotecnologia e Terapia Celular (CBTC) do Hospital São Rafael vai desenvolver pesquisas com portadores da doença de Chagas, doença adquirida por um parasita e que em muitas pessoas não apresenta sintomas. A pesquisa será para identificar a forma correta do tratamento seja ela terapêutica, imunológica ou por terapia celular, no intuito de bloquear ou inibir a evolução da doença para a forma cardíaca. “Precisamos compreender melhor os motivos pelos quais os indivíduos portadores da forma indeterminada da doença de Chagas vivem tanto tempo sem apresentar os sintomas, mesmo com sorologia positiva, ou seja, coexistindo com a presença de parasitas”, diz o imunologista e coordenador do Estudo Multicêntrico de Terapia Celular em Cardiopatia Chagásica, Ricardo Ribeiro, responsável pelo CBTC.

Os estudos serão realizados no Laboratório de Cultura de Células Humanas e no Ambulatório Avançado de Doença de Chagas. Os voluntários a participarem do projeto terão acompanhamento terapêutico para insuficiência cardíaca e total assistência de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição e Fisioterapia.

Desenvolvimento

Nomes importantes da pesquisa no Brasil estiveram presentes em Salvador durante inauguração do primeiro Laboratório de Cultura de Células Humanas do Brasil e único no Norte e Nordeste. Para o secretário de Ciência e Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, a terapia celular é o novo paradigma a ser desvendado quando se trata do cuidado com a saúde humana, e comemora o desenvolvimento do Brasil no setor. ¿O Ministério da Saúde faz questão de manter o fomento nessa área.

Dessa forma a distância que separa o Brasil dos países desenvolvidos, em relação às pesquisas com terapia celular, é muito pequena¿, festeja o secretário. Já o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Carlos Aragão, avalia o momento como um avanço no desenvolvimento social brasileiro.

CTBC

O Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC) é o primeiro do Norte-Nordeste e um dos oito centros credenciados pelo Ministério da Saúde para manejo de células-tronco a nível de GMP (Good Manufacture Practice ou Boas Práticas de Manufatura). Possui uma área de aproximadamente 700 m2, onde são realizadas pesquisas básicas e aplicadas na área biomédica, e investigações de doenças neurológicas (trauma raquimedular, epilepsia, lesão do nervo periférico); de doenças renais (insuficiência renal aguda), do diabetes (tipos I e II, com foco na regeneração de lesões teciduais), doenças cardiovasculares, doenças hepáticas e do envelhecimento. Sobre este último, são monitorados e identificados os mecanismos que levam à transformação tumoral de células-tronco e a comparação do potencial terapêutico de células de diferentes origens.

Fonte: Terra

HC revela transplante com células-tronco

Médico é autor de primeiro procedimento em Ribeirão de material presente em cordão umbilical a bebê com deficiência imunológica

O imunologista Júlio César Voltarelli apresenta na manhã desta quinta-feira, no Hemocentro do HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão Preto, a saga de um menino de 6 meses que foi submetido a transplante de célula-tronco de cordão umbilical. Foi o primeiro procedimento do gênero realizado na cidade, de acordo com o médico.

Antes disso, transplantes semelhantes foram realizados somente em grandes centros médicos de capitais, como São Paulo e Curitiba. A célula-tronco veio dos Estados Unidos, segundo Voltarelli, com sangue 100% compatível com o do paciente.

As células-tronco contidas em 46 mililitros de sangue do cordão umbilical, injetadas diretamente no coração do menino, devem induzir a produção das células sanguíneas de que ele necessita para ter uma vida normal.

Deficiência imunolócia

Com o procedimento, feito pela equipe do médico Júlio Voltarelli, o menino, natural de Sertãozinho e que sofre de Deficiência Imunológica Continuada Grave, em inglês SCID (Severe Combined Immunodeficiency), ganhou grande chance de sobrevivência.

O transplante teria sido feito há 20 dias, mas o médico esperou a reação do organismo do bebê antes de chamar a imprensa para relatar detalhes do procedimento.

O menino vivia ameaçado pela chance de contrair qualquer resfriado ou pequenos machucados. Os familiares estavam deseseperados e, segundo Voltarelli, a doença certamente o levaria à morte.

"É muito provável, agora, que ele tenha vida normal. As chances beiram os 90%", afirmou o médico.

 Fonte: Jornal A Cidade

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Médicos recuperam traqueia de jovem destruída por câncer a partir do uso de células-tronco

Uma adolescente britânica, de 19 anos, que sofre de câncer de traqueia, ganhou um novo órgão construído a partir de tecido de seu nariz e injeção de suas próprias células-tronco. Esta técnica evitou a aplicação de drogas contra rejeição e é mais um passo nesse tipo de transplante.


A jovem, não identificada, foi operada pela mesma equipe que em 2008 usou técnica similar na colombiana Claudia Castillo, de 30 anos, na Espanha. Ela sofria de um grave problema na traqueia. Só que neste caso, o grupo do doutor Paulo Macchiarini, professor na Universidade de Barcelona e na Escola de Medicina de Hannover, na Alemanha, implantou a estrutura de uma traqueia retirada de um cadáver, um homem de 51 anos. Antes, os cientistas submeteram o órgão doado a banhos de substâncias químicas fortes (um detergente enzimático) para destruir todas as células vivas do doador, deixando apenas uma espécie de fôrma, composta de colágeno.

Posteriormente ela foi devidamente repovoada com células da própria paciente. Dois tipos de células foram aplicadas: aquelas retiradas da própria região da traquéia e células-tronco adultas, cultivadas antes do transplante. Este ano, um menino britânico, de dez anos, passou pelo mesmo procedimento.

Para a adolescente britânica, os médicos criaram uma traqueia biologicamente idêntica ao seu órgão de origem e injetaram as células-tronco um pouco antes do transplante. Apenas quatro dias depois da cirurgia, no último dia 13 de julho, no hospital italiano Careggi, a jovem já conseguia falar. A mesma equipe operou um theco de 31 anos. São necessários de dois a três meses para as células-tronco cobrirem completamente a traqueia e formar um novo órgão.

- Esta é uma solução única para um problema que não tinha qualquer saída, exceto a morte - diz Walter Giovannini, diretor do Hospital Careggi, em Florença. Os cirurgiões têm feito avanços no transplante de traqueias, mas em casos anteriores os órgãos foram fisicamente danificados por algum trauma. Já o câncer traqueia é raro e muito difícil de tratar porque é resistente à quimioterapia e radioterapia. E os transplante de dispositivos mecânicos para substituir a traqueia não se mostram eficazes.

Fonte: O Globo

Células-tronco embrionárias começam a ser usadas em teste nos humanos

A terapia se chamará GRNOPC1


Após um ano de rompimento de testes com células-troco embrionárias, a empresa Geron Corp pode retornar o trabalho, isso porque a FDA (órgão que fiscaliza alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, similar à Anvisa) liberou o primeiro teste no mundo em seres humanos. As células-tronco embrionárias são consideradas as mais versáteis, pois transformam qualquer tipo de célula no corpo.

Os experimentos foram cancelados após os testes em camundongos apresentarem cistos espinhais em alguns animais. Mas agora, a companhia diz que encontrou uma nova forma de testar sua terapia e que não viu cistos em um estudo separado com animais.
De acordo com o presidente da empresa, o recrutamento de pacientes deve começar antes mesmo do fim do mês de agosto. Cerca de dez pacientes devem ser inscritos para o experimento, em diferentes locais do país. A partir de agora a terapia se chamará GRNOPC1, os testes devem durar cerca de dois anos, e cada paciente deve ser estudado por um ano, mas podendo se estender quando o tratamento apresentar eficácia.

Segundo a divulgação, a terapêutica vai utilizar células chamadas oligodendrocyte progenitoras. Elas se transformam em oligodendrocytes, tipo de célula que produz mielina, capa que permite aos impulsos se moverem pelos nervos. E se funcionar todo o processo, as células progenitoras vão produzir novos oligodendrocytes na área afetada da espinha do paciente, potencialmente permitindo movimentos novamente.

A ciência acredita que o tratamento com as células-tronco embrionárias permitem o tratamento de muitas doenças, como cura para o diabetes, mal de Parkinson, paralisias e outras enfermidades, por isso essa pesquisa vem para somar ao estado clínico dos pacientes.

O farmacêutico, tutor do Portal Educação, Ronaldo de Jesus Costa, acredita que esse processo de autorização é mais uma etapa vencida para instituir tratamentos com células-tronco. “Controlar a capacidade de replicação de células-tronco não é tarefa fácil, sobretudo células embrionárias. Por isso, o acompanhamento dos pacientes deve ser muito minucioso”, conclui o tutor.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Música Células Tronco.

Navegando por ai na internet, descobri que a criatividade das pessoas não tem limite.
Encontrei uma música sobre as células tronco.
Não posso afirmar que seja uma boa música, mas ela está ai para que vocês mesmos possam conferir.





Células Tronco
Violins

Já faz mais de dez anos que eu perdi a visão

e mais de dez anos
que eu fiquei completamente surdo de um ouvido
e o outro só ouve confusão

De tudo que eu vi
e de tudo que eu ouvi
você sempre foi o ódio perfeito
o ódio vil, o ódio por ter sempre estado bem
quando eu envelheci
e eu nunca te amei


E você ainda está aqui
e zela por mim


Você ainda está aqui
e cuida de mim


Sentado aqui
mas não pra sempre
eu rezo sim pelas células-tronco
que vão me fazer correr por aí


Já faz mais de dez anos que eu senti algum tesão
ao te ver nua e suada sentada sobre mim
e a culpa é minha mas não peço perdão
depois de tudo que eu vi
e tudo que eu ouvi.

Células-tronco: avanços e retrocessos

Enquanto FDA autoriza testes clínicos em células embrionárias, estudo mostrou que células de tecido adulto têm memória


02/08/2010 - Duas novidades chacoalharam o mundo das células-tronco nas duas últimas semanas. Na sexta-feira (30/07), a Administração de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos (FDA) autorizou, pela primeira vez, que células tronco embrionárias fossem injetadas experimentalmente em seres humanos. As células, capazes de se transformar em qualquer tipo de tecido do corpo, são uma esperança de cura para pacientes com doenças atualmente incuráveis.

Mas na semana anterior, o estudo de um outro tipo de células-tronco, as pluripotente induzidas, também avançou – não necessariamente, neste caso, com notícias tão boas.

As células-tronco pluripotentes induzidas, geradas a partir de tecidos adultos, surgiram há cerca de três anos como uma solução para a criação de células-tronco capazes de se diferenciar em qualquer tecido humano que não tivessem questionamentos éticos, como as embrionárias – retiradas de embriões inviáveis, ou seja, que nunca poderiam evoluir e produzir um ser vivo.

Efeito memória

Uma pesquisa publicada pela revista Nature mostrou que a solução pode não ser tão perfeita como parecia a princípio. Cientistas liderados por George Daley, da Universidade de Harvard, descobriram que as células-tronco pluripotentes induzidas preservam a memória de sua vida como célula-adulta – ou seja, elas têm mais facilidade em voltar a se tornar o tecido que eram originalmente.

No artigo Daley e colegas mostraram que uma célula adulta do sangue transformada em célula-tronco pluripotente induzida tem mais facilidade para voltar a se tornar novamente uma célula do sangue do que se fosse óssea. O inverso também acontece: células que originalmente eram de osso que não fazem boas células adultas de sangue – e muito menos de neurônios. (...)

No caso de terapia celulares, uma situação semelhante ocorreria. Não seria possível teoricamente criar um neurônio e utilizá-lo no paciente com Parkinson partindo de uma célula adulta da pele. “A área precisa que alguém desenvolva um método para apagar a memória para que as células-tronco pluripotentes induzidas feitas a partir de uma célula adulta de pele possa fazer todos tipos de tecidos com igual vigor”, afirmou George Daley ao iG. (segue...)
 
Fonte: Ultimo Segundo.

Vaticano reprova vários testes feitos com células-tronco

O Vaticano qualificou neste sábado (31) de "inaceitável" a autorização dada pelos Estados Unidos para a realização de testes clínicos em seres humanos utilizando células-tronco embrionárias.
"Apesar dos esforços feitos para negá-lo, a ciência segue afirmando que o embrião é um ser humano por nascer", disse monsenhor Elio Sgreccia, presidente emérito da Academia Pontifícia para a Vida (instituição da cúria romana), à Rádio Vaticano.
Os embriões são "sacrificados para se extrair as células-tronco e tudo isto, do ponto de vista ético, só pode receber um julgamento negativo".
A empresa americana Geron anunciou na sexta-feira ter recebido autorização da Food and Drug Administration (FDA, agência federal de medicamentos) para realizar os primeiros testes clínicos em seres humanos de uma terapia baseada em células-tronco embrionárias.
A Igreja católica rejeita a utilização de células-tronco retirada de embriões humanos, mas aceita as pesquisas com células obtidas a partir do cordão umbilical, intestino ou retina.
Os pesquisadores utilizam embriões congelados para fins reprodutivos para obter as células-tronco.
Fonte: G1