O lado negro das células-tronco acaba de ganhar mais uma confirmação: a descoberta de uma população desse tipo de célula que está na raiz dos cânceres de intestino. Uma equipe internacional de pesquisadores identificou as vilãs microscópicas num estudo com camundongos e pretende utilizar esse conhecimento como ferramenta para, quem sabe, erradicar definitivamente esse tipo de câncer.
A capacidade de renovar a si próprias e a de dar origem a outros tipos de célula são definidoras das células-tronco, e é graças a elas que os cientistas pretendem utilizá-las para reconstruir órgãos e tecidos. Mas essas mesmas propriedades também são potencialmente perigosas. Se os vários tipos de câncer tiverem células-tronco -- e cada vez mais parece que eles as têm --, a doença ganha uma fonte quase inexaurível de crescimento: basta que sobre uma única célula-tronco para que um tumor volte, ao menos em tese.
Na nova pesquisa envolvendo tumores de intestino, a equipe liderada por Hans Clevers, do Centro Médico da Universidade de Utrecht (Holanda), estudou um grupo especial de células da chamada cripta intestinal (uma região cheia de glândulas mucosas no intestino delgado). Já se sabe que elas são as células-tronco "do bem" para o intestino delgado e o cólon, ou seja, ajudam a renovar os tecidos desses órgãos (para se ter uma idéia, a camada superficial deles é trocada a cada cinco dias em camundongos).
Na mosca
Clevers explicou ao G1 que os camundongos usados na pesquisa foram especialmente "preparados" (via biologia molecular) para reagir da maneira que os pesquisadores desejavam. "Eles produzem uma enzima em suas células-tronco, que nós conseguimos ativar com uma injeção de tamoxifeno [droga comum no tratamento contra o câncer de mama]. Com esse truque, nós deletamos um gene que serve como supressor de tumores em células-tronco", diz ele.
No experimento, os pesquisadores viram que o tumor intestinal só surgia quando o gene, conhecido como APC, era inutilizado nas células-tronco, e não nas outras células do intestino. Isso mostra que elas são mesmo as culpadas pela doença. "Ao comparar esses dois tipos de células, nós agora poderemos achar genes marcadores que estão unicamente presentes nas células-tronco do câncer, e não nas células-tronco normais", diz Clevers. Com isso, espera-se que surjam formas de atacar especificamente esse tipo de célula.
A pesquisa está na edição desta semana da revista científica britânica "Nature" .
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Cientistas obtêm células-tronco embrionárias de rato
São Paulo - A supremacia do camundongo como principal instrumento da pesquisa genética pode estar chegando ao fim. Após vários anos de tentativas frustradas, pesquisadores americanos, britânicos e chineses conseguiram vencer um dos maiores desafios tecnológicos da biomedicina: a obtenção da primeira linhagem de células-tronco embrionárias de rato. O experimento abre caminho para a produção de ratos geneticamente modificados destinados ao estudo de doenças em laboratório - técnica usada há 20 anos em camundongos e que em 2007 rendeu o prêmio Nobel de medicina a três pesquisadores. "É algo que esperávamos há muito tempo", disse José Eduardo Krieger, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração de São Paulo.
Ele explica que, em muitas situações, o rato é um modelo de pesquisa preferível ao camundongo porque é geneticamente e fisiologicamente mais parecido com os seres humanos. O fato de ser um animal maior também facilita o estudo de doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial. O problema é que, sem a capacidade de cultivar células-tronco embrionárias da espécie, fica difícil produzir animais geneticamente modificados (chamados "nocautes") que permitem estudar o papel de genes específicos no organismo. Isso porque a melhor maneira de saber a função de um gene é desligá-lo (ou "nocauteá-lo") e ver o que acontece com o organismo.
Tipicamente, a manipulação genética é feita nas células-tronco embrionárias em cultura, que depois são usadas para produzir animas transgênicos. As primeiras linhagens de células embrionárias de camundongos foram obtidas em 1981 e, oito anos mais tarde, foram obtidos os primeiros animais transgênicos. O Nobel coroou a contribuição da técnica para a biomedicina.
Mas ainda faltava o rato. A receita usada para cultivar células-tronco de camundongo nunca funcionou para outros roedores. Até agora.
Em dois trabalhos que serão publicados amanhã na revista Cell, cientistas das Universidades do Sul da Califórnia (EUA), Fudan (China), Edimburgo (Escócia) e Cambridge (Inglaterra) relatam a obtenção das primeiras linhagens de células-tronco embrionárias de ratos. Eles produziram um "coquetel" de moléculas capaz de manter as células indiferenciadas e desenvolveram técnicas para manipulá-las geneticamente em cultura. O próximo passo é produzir os animais transgênicos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: UOL
Ele explica que, em muitas situações, o rato é um modelo de pesquisa preferível ao camundongo porque é geneticamente e fisiologicamente mais parecido com os seres humanos. O fato de ser um animal maior também facilita o estudo de doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial. O problema é que, sem a capacidade de cultivar células-tronco embrionárias da espécie, fica difícil produzir animais geneticamente modificados (chamados "nocautes") que permitem estudar o papel de genes específicos no organismo. Isso porque a melhor maneira de saber a função de um gene é desligá-lo (ou "nocauteá-lo") e ver o que acontece com o organismo.
Tipicamente, a manipulação genética é feita nas células-tronco embrionárias em cultura, que depois são usadas para produzir animas transgênicos. As primeiras linhagens de células embrionárias de camundongos foram obtidas em 1981 e, oito anos mais tarde, foram obtidos os primeiros animais transgênicos. O Nobel coroou a contribuição da técnica para a biomedicina.
Mas ainda faltava o rato. A receita usada para cultivar células-tronco de camundongo nunca funcionou para outros roedores. Até agora.
Em dois trabalhos que serão publicados amanhã na revista Cell, cientistas das Universidades do Sul da Califórnia (EUA), Fudan (China), Edimburgo (Escócia) e Cambridge (Inglaterra) relatam a obtenção das primeiras linhagens de células-tronco embrionárias de ratos. Eles produziram um "coquetel" de moléculas capaz de manter as células indiferenciadas e desenvolveram técnicas para manipulá-las geneticamente em cultura. O próximo passo é produzir os animais transgênicos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: UOL
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Cientistas transformam células-tronco em neurônios
Cientistas europeus descobriram como transformar, in vitro, células-tronco embrionárias em grande quantidade de neurônios do córtex cerebral, abrindo caminho, assim, a novas perspectivas para a pesquisa médica sobre enfermidades neurológicas.
O córtex cerebral é uma complexa estrutura formada por células nervosas ou neurônios, que podem ser alvo de doenças como epilepsias, Mal de Alzheimer ou de acidentes vasculares cerebrais.
Os estudos, realizados pela equipe de Pierre Vanderhaeghen da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) junto com Afsaneh Gaillard, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS) na Universidade de Poitiers, foi divulgado ontem na páguina web da revista científica Nature.
Os neurônios, gerados integralmente fora do cérebro, foram transplantados por Nicolas Gaspard (ULB) Gaillard a cérebros de ratos. Ao final de um mês, o exame dos roedores permitiu constatar que os neurônios se conectaram no cérebro formando circuitos adequados.
Segundo Vanderhaeghen, esta produção (corticogenesis) in vitro constitui uma "ferramenta inovadora para a investigação" e poderia servir para testar novos medicamentos.
Fonte: Terra
O córtex cerebral é uma complexa estrutura formada por células nervosas ou neurônios, que podem ser alvo de doenças como epilepsias, Mal de Alzheimer ou de acidentes vasculares cerebrais.
Os estudos, realizados pela equipe de Pierre Vanderhaeghen da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) junto com Afsaneh Gaillard, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS) na Universidade de Poitiers, foi divulgado ontem na páguina web da revista científica Nature.
Os neurônios, gerados integralmente fora do cérebro, foram transplantados por Nicolas Gaspard (ULB) Gaillard a cérebros de ratos. Ao final de um mês, o exame dos roedores permitiu constatar que os neurônios se conectaram no cérebro formando circuitos adequados.
Segundo Vanderhaeghen, esta produção (corticogenesis) in vitro constitui uma "ferramenta inovadora para a investigação" e poderia servir para testar novos medicamentos.
Fonte: Terra
Brasil: estudo obtém resultado inédito com células-tronco
O Brasil desenvolveu pela primeira vez uma linhagem de células-tronco embrionárias, o que deve gerar um impulso no desenvolvimento deste tipo de pesquisa no país, segundo a geneticista que liderou o estudo.
A linhagem, grupo de células-tronco oriundas de um único embrião capazes de replicação in vitro, foi alcançada após dois anos de pesquisa na Universidade de São Paulo (USP). A primeira linhagem publicada foi em 1998, nos Estados Unidos.
"Não sei ainda, do ponto de vista científico, se isso é um impacto grande. Nossas formas de estabelecer (a linhagem) tiveram pequenas variações do que já foi publicado e ainda vai ser submetido a revistas científicas. Mas acho que o maior impacto disso é dentro do desenvolvimento da área de pesquisa com células-tronco embrionárias no Brasil", disse a geneticista Lygia da Veiga Pereira em entrevista à Reuters na terça-feira.
"A gente poder estabelecer as nossas próprias culturas nos dá autonomia para desenvolver essas pesquisas. Uma coisa é você ter colaborações com grupos estrangeiros, que é ótimo. Outra coisa é depender desses grupos. E a gente passa a não depender na medida que agora conseguimos fazer todos os passos, desde estabelecer a linhagem até tem grupos aqui no Brasil trabalhando na produção em grande escala", completou.
As células-tronco embrionárias, retiradas de embriões humanos, são capazes de produzir qualquer tipo de célula, e cientistas têm esperança de que a capacidade de transformação dessas células ajude no tratamento de uma série de doenças.
O grupo liderado por Lygia tinha conseguido estabelecer células-tronco embrionárias de camundongo em 1999 e começou a pesquisa com humanos em 2006, um ano após a aprovação da lei de biossegurança, que liberou o uso das células-tronco embrionárias em pesquisas ou no tratamento de doenças desde que retiradas de embriões produzidos por fertilização in vitro.
A pesquisa na USP, financiada pelos ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, seguiu mesmo com a Ação de Inconstitucionalidade (Adin), impetrada no Supremo Tribunal Federal em 2005, contra as pesquisas com células-tronco embrionárias. Em maio deste ano, o STF aprovou a continuação das pesquisas, e o Brasil tornou-se o primeiro país da América Latina a permitir os estudos com células-tronco.
"Como o governo seguiu nos financiando, a gente entendeu isso como um sinal que era para seguir em frente. A gente não parou as pesquisas, apostando na lucidez dos ministros do STF", afirmou a geneticista, acrescentando que seu grupo contou com a "colaboração importante" do grupo da doutora Jeanne Loring, de San Diego, dos Estados Unidos.
Lygia Pereira disse que, a partir da linhagem 100 por cento nacional, os grupos que realizam pesquisas com células-tronco partem para novas descobertas.
"O que a gente quer fazer agora é uma caracterização molecular mais detalhada dessas células. E também, em parceria, produzir essa célula em larga escala para disponibilizar para outros grupos aqui no Brasil", declarou.
"A gente também pretende estabelecer métodos de criar linhagens adequadas para uso clínico... para daqui um ano, dois anos, quando esses testes clínicos já deverão ter começado em outros países, a gente estar pronto para isso aqui no Brasil".
Fonte: Terra
A linhagem, grupo de células-tronco oriundas de um único embrião capazes de replicação in vitro, foi alcançada após dois anos de pesquisa na Universidade de São Paulo (USP). A primeira linhagem publicada foi em 1998, nos Estados Unidos.
"Não sei ainda, do ponto de vista científico, se isso é um impacto grande. Nossas formas de estabelecer (a linhagem) tiveram pequenas variações do que já foi publicado e ainda vai ser submetido a revistas científicas. Mas acho que o maior impacto disso é dentro do desenvolvimento da área de pesquisa com células-tronco embrionárias no Brasil", disse a geneticista Lygia da Veiga Pereira em entrevista à Reuters na terça-feira.
"A gente poder estabelecer as nossas próprias culturas nos dá autonomia para desenvolver essas pesquisas. Uma coisa é você ter colaborações com grupos estrangeiros, que é ótimo. Outra coisa é depender desses grupos. E a gente passa a não depender na medida que agora conseguimos fazer todos os passos, desde estabelecer a linhagem até tem grupos aqui no Brasil trabalhando na produção em grande escala", completou.
As células-tronco embrionárias, retiradas de embriões humanos, são capazes de produzir qualquer tipo de célula, e cientistas têm esperança de que a capacidade de transformação dessas células ajude no tratamento de uma série de doenças.
O grupo liderado por Lygia tinha conseguido estabelecer células-tronco embrionárias de camundongo em 1999 e começou a pesquisa com humanos em 2006, um ano após a aprovação da lei de biossegurança, que liberou o uso das células-tronco embrionárias em pesquisas ou no tratamento de doenças desde que retiradas de embriões produzidos por fertilização in vitro.
A pesquisa na USP, financiada pelos ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, seguiu mesmo com a Ação de Inconstitucionalidade (Adin), impetrada no Supremo Tribunal Federal em 2005, contra as pesquisas com células-tronco embrionárias. Em maio deste ano, o STF aprovou a continuação das pesquisas, e o Brasil tornou-se o primeiro país da América Latina a permitir os estudos com células-tronco.
"Como o governo seguiu nos financiando, a gente entendeu isso como um sinal que era para seguir em frente. A gente não parou as pesquisas, apostando na lucidez dos ministros do STF", afirmou a geneticista, acrescentando que seu grupo contou com a "colaboração importante" do grupo da doutora Jeanne Loring, de San Diego, dos Estados Unidos.
Lygia Pereira disse que, a partir da linhagem 100 por cento nacional, os grupos que realizam pesquisas com células-tronco partem para novas descobertas.
"O que a gente quer fazer agora é uma caracterização molecular mais detalhada dessas células. E também, em parceria, produzir essa célula em larga escala para disponibilizar para outros grupos aqui no Brasil", declarou.
"A gente também pretende estabelecer métodos de criar linhagens adequadas para uso clínico... para daqui um ano, dois anos, quando esses testes clínicos já deverão ter começado em outros países, a gente estar pronto para isso aqui no Brasil".
Fonte: Terra
Criado sistema para gerar células-tronco seguras
Um grupo de pesquisadores do MGH Cancer Center e do Harvard Stem Cell Institute em Boston (Estados Unidos) conseguiu reprogramar células adultas de rato e transformá-las em células-tronco seguras, em trabalho publicado pela revista Nature.A novidade do sistema que a equipe desenvolveu para gerar esse tipo de células-tronco, conhecidas como iPS (induced pluripotent stem cells), é que, nesta ocasião, foi utilizado um vírus que, ao contrário dos usados anteriormente, não passa a fazer parte do genoma das células nas quais entra.
Esta característica do vírus, um adenovírus, permite conservar intacto o material genético deste tipo de células-tronco reprogramadas, essencial para que possam ser empregadas no futuro em tratamento celular humano. "Além disso, o adenovírus que usamos tem outra característica necessária para satisfazer os padrões de segurança, e é que não pode se propagar uma vez dentro da célula", explicou Matthias Stadtfeld, principal autor do trabalho.
Os pesquisadores extraíram células do fígado e fibroblasto da ponta do rabo de ratos adultos e introduziram nelas um grupo de quatro genes conhecidos como Yamanaka factors. "Juntos, estes quatro fatores podem estabelecer pluripotencialidade nas células adultas diferenciadas. Por enquanto, se desconhece como o fazem e quais são as contribuições individuais de cada um deles ", prosseguiu Stadtfeld.
Após cultivá-las no laboratório, injetaram as iPS em embriões de ratos que depois foram implantados no útero de algumas fêmeas. Os ratos que nasceram e nos quais as iPS se especializaram em vários tipos celulares sem problemas não apresentaram até hoje nenhum efeito adverso.
A equipe liderada por Konrad Hochedlinger acredita que, a partir de agora, será possível tentar reprogramar células humanas com adenovírus. Segundo Stadtfeld, "o êxito deste trabalho poderia depender da combinação" deste tipo de vírus com os "agentes químicos" utilizados "para reforçar a reprogramação". Conseguir iPS e poder testá-las em humanos é apenas "uma questão de tempo", declarou o cientista.
No entanto, lembrou que um dos obstáculos a superar será o fato de que, "em geral, é mais difícil derivar células maduras e funcionais a partir de células-tronco em humanos do que em ratos"; e com as iPS terão que enfrentar o mesmo desafio. "Demos um passo adiante, mas ainda estamos longe de poder iniciar os testes clínicos", declarou o pesquisador.
As iPS se somam ao elenco de células-tronco atualmente estudadas com a esperança de que, algum dia, possam servir para tratar aquelas doenças que afetam a integridade dos tecidos. "Os tratamentos baseados em células iPS ou células-tronco poderiam ser empregados para reparar tecidos" como os da medula óssea ou do fígado, disse Stadtfeld.
Pessoas com uma doença como a anemia falciforme, uma alteração genética que destrói os glóbulos vermelhos, poderiam ser suscetíveis de receber este tipo de tratamentos. Por último, ressaltou "a importância de continuar investigando neste campo e determinar se as células iPS geradas no futuro e as células-tronco são completamente idênticas, quanto à segurança e ao potencial na aplicação clínica".
Esta característica do vírus, um adenovírus, permite conservar intacto o material genético deste tipo de células-tronco reprogramadas, essencial para que possam ser empregadas no futuro em tratamento celular humano. "Além disso, o adenovírus que usamos tem outra característica necessária para satisfazer os padrões de segurança, e é que não pode se propagar uma vez dentro da célula", explicou Matthias Stadtfeld, principal autor do trabalho.
Os pesquisadores extraíram células do fígado e fibroblasto da ponta do rabo de ratos adultos e introduziram nelas um grupo de quatro genes conhecidos como Yamanaka factors. "Juntos, estes quatro fatores podem estabelecer pluripotencialidade nas células adultas diferenciadas. Por enquanto, se desconhece como o fazem e quais são as contribuições individuais de cada um deles ", prosseguiu Stadtfeld.
Após cultivá-las no laboratório, injetaram as iPS em embriões de ratos que depois foram implantados no útero de algumas fêmeas. Os ratos que nasceram e nos quais as iPS se especializaram em vários tipos celulares sem problemas não apresentaram até hoje nenhum efeito adverso.
A equipe liderada por Konrad Hochedlinger acredita que, a partir de agora, será possível tentar reprogramar células humanas com adenovírus. Segundo Stadtfeld, "o êxito deste trabalho poderia depender da combinação" deste tipo de vírus com os "agentes químicos" utilizados "para reforçar a reprogramação". Conseguir iPS e poder testá-las em humanos é apenas "uma questão de tempo", declarou o cientista.
No entanto, lembrou que um dos obstáculos a superar será o fato de que, "em geral, é mais difícil derivar células maduras e funcionais a partir de células-tronco em humanos do que em ratos"; e com as iPS terão que enfrentar o mesmo desafio. "Demos um passo adiante, mas ainda estamos longe de poder iniciar os testes clínicos", declarou o pesquisador.
As iPS se somam ao elenco de células-tronco atualmente estudadas com a esperança de que, algum dia, possam servir para tratar aquelas doenças que afetam a integridade dos tecidos. "Os tratamentos baseados em células iPS ou células-tronco poderiam ser empregados para reparar tecidos" como os da medula óssea ou do fígado, disse Stadtfeld.
Pessoas com uma doença como a anemia falciforme, uma alteração genética que destrói os glóbulos vermelhos, poderiam ser suscetíveis de receber este tipo de tratamentos. Por último, ressaltou "a importância de continuar investigando neste campo e determinar se as células iPS geradas no futuro e as células-tronco são completamente idênticas, quanto à segurança e ao potencial na aplicação clínica".
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Unicamp abre novas pesquisas com células-tronco
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (DECIT/SCTIE/MS) divulgaram as 49 pesquisas com células-tronco que receberão um total de R$ 10 milhões para o desenvolvimento de procedimentos terapêuticos inovadores na área de terapia celular. Destas pesquisas, quatro são desenvolvidas e coordenadas pelo Grupo de Terapia Celular (GTC) da Unicamp.
O GTC envolve pesquisadores das disciplinas de Reumatologia, Neurologia, Cirurgia Plástica, Ortopedia, Gastrocirurgia, Transplante de Fígado e Cirurgia Pediátrica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), Instituto de Biologia, Cemib, CPQBA, Instituto de Física, Laboratório Síncroton, Instituto de Química da Unicamp e pesquisadores colaboradores do Instituto de Química da USP e de São Carlos.
“O Grupo de Terapia Celular é multidisciplinar e envolve o Hemocentro, responsável pelo processo de obtenção de células-tronco a partir de sangue de cordão umbilical humano, de tecido adiposo e de medula óssea”, explicou Ângela Luzo, coordenadora do Banco de Sangue de Cordão Umbilical do Hemocentro da Unicamp.
Três dos projetos aprovados pelo edital do CNPq envolvem pesquisas com células-tronco a partir do tecido adiposo, uma tendência mundial de acordo com Ângela Luzo. A razão de pesquisadores estarem usando esse tipo de célula se deve ao fato do processo para a obtenção das células-tronco do tecido adiposo conhecido como lipoaspiração ser menos invasivo e requerer apenas anestesia local. Outra vantagem é que essas células são mais fáceis de serem separadas e cultivadas in vitro.
O primeiro projeto aprovado que envolve essa linha de pesquisa é “Avaliação da capacidade de células mesenquimais obtidas de sangue de cordão umbilical e de tecido adiposo humanos na diferenciação para hepatócitos”, coordenado pela professora e pesquisadora do Departamento de Cirurgia da FCM, Ilka de Fátima Santana Ferreira Boin.
O transplante de fígado, apesar de ser uma excelente arma terapêutica para os pacientes portadores de insuficiência hepática grave, está sujeito à viabilidade de órgãos doados. A utilização de células-tronco na regeneração do fígado poderia melhorar o quadro hepático dos pacientes que aguardam na fila do transplante. De acordo com a pesquisa, a comprovação de que células mesenquimais obtidas de sangue de cordão e de tecido adiposo teriam capacidade de diferenciação para linhagem hepática possibilitaria, num futuro próximo, a sua utilização em pacientes com problemas graves de fígado.
O segundo projeto é “Ação de células mesenquimais derivadas do tecido adiposo na regeneração de lesões cartilaginosas do joelho de coelhos”, coordenado pela professora e pesquisadora Sara Teresinha Ollala Saad, do Departamento de Clínica Médica.
A cartilagem do joelho é incapaz de se reparar normalmente num processo de cicatrização espontâneo. As medidas terapêuticas adotadas para o seu tratamento, até o momento, se mostram ineficientes. A Engenharia de Tecidos pode ser uma resposta para este problema. Inúmeras pesquisas têm demonstrado a possibilidade de se obter colágeno do tipo II a partir de células mesenquimais de células adiposas obtidas na lipoaspiração. De acordo com a pesquisa, esponjas de colágeno tipo II obtidas com metodologia desenvolvida no Laboratório de Medicina Molecular da FCM serão implantadas em lesões produzidas no joelho de coelhos para comprovar a ação da regeneração cartilaginosa a partir das células-tronco. As células mesenquimais são uma derivação de células-tronco que podem se transformar em músculos, ossos, gordura e até cartilagem.
O terceiro projeto é “Avaliação do uso de células-tronco humanas derivadas de tecido adiposo na neovascularização de membros isquêmicos de camundongos – estudo pré-clínico a terapia celular na doença arterial periférica crônica (DAPc)”, da bióloga e doutoranda em medicina experimental pelo curso de Fisiopatologia Médica da FCM, Carolina Cotomacci. A orientação é da professora Joyce Maria A. Bizzacchi, do Hemocentro.
A DAPc é uma doença oclusiva arterial crônica de membros inferiores causada por aterosclerose. É uma das causas mais comuns de dor e incapacidade dos membros inferiores e está associada à morbidade e mortalidade. “O objetivo deste trabalho consiste em promover a neovascularização em membros isquêmicos pelo uso de células-tronco derivadas de tecido adiposo de doadores humanos normais e avaliar sua eficiência para futuros tratamentos baseados em terapia celular”, explicou Carolina. A pesquisadora também desenvolve outro projeto na mesma área com células-tronco provenientes de medula óssea.
A última pesquisa aprovada CNPq é do professor William Belangero, do Departamento de Ortopedia da FCM e envolve a obtenção de células-tronco a partir de sangue de cordão umbilical e de tecido adiposo. O Grupo de Terapia Celular da Unicamp teve mais três pesquisas aprovadas em novembro deste ano com o projeto Universal editado também pelo CNPq para as áreas de Ciências da Vida. O edital Universal recebeu cerca de 11 mil propostas e foram aprovados 2.550 projetos. O investimento total nas pesquisas será de R$ 100 milhões.
O GTC envolve pesquisadores das disciplinas de Reumatologia, Neurologia, Cirurgia Plástica, Ortopedia, Gastrocirurgia, Transplante de Fígado e Cirurgia Pediátrica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), Instituto de Biologia, Cemib, CPQBA, Instituto de Física, Laboratório Síncroton, Instituto de Química da Unicamp e pesquisadores colaboradores do Instituto de Química da USP e de São Carlos.
“O Grupo de Terapia Celular é multidisciplinar e envolve o Hemocentro, responsável pelo processo de obtenção de células-tronco a partir de sangue de cordão umbilical humano, de tecido adiposo e de medula óssea”, explicou Ângela Luzo, coordenadora do Banco de Sangue de Cordão Umbilical do Hemocentro da Unicamp.
Três dos projetos aprovados pelo edital do CNPq envolvem pesquisas com células-tronco a partir do tecido adiposo, uma tendência mundial de acordo com Ângela Luzo. A razão de pesquisadores estarem usando esse tipo de célula se deve ao fato do processo para a obtenção das células-tronco do tecido adiposo conhecido como lipoaspiração ser menos invasivo e requerer apenas anestesia local. Outra vantagem é que essas células são mais fáceis de serem separadas e cultivadas in vitro.
O primeiro projeto aprovado que envolve essa linha de pesquisa é “Avaliação da capacidade de células mesenquimais obtidas de sangue de cordão umbilical e de tecido adiposo humanos na diferenciação para hepatócitos”, coordenado pela professora e pesquisadora do Departamento de Cirurgia da FCM, Ilka de Fátima Santana Ferreira Boin.
O transplante de fígado, apesar de ser uma excelente arma terapêutica para os pacientes portadores de insuficiência hepática grave, está sujeito à viabilidade de órgãos doados. A utilização de células-tronco na regeneração do fígado poderia melhorar o quadro hepático dos pacientes que aguardam na fila do transplante. De acordo com a pesquisa, a comprovação de que células mesenquimais obtidas de sangue de cordão e de tecido adiposo teriam capacidade de diferenciação para linhagem hepática possibilitaria, num futuro próximo, a sua utilização em pacientes com problemas graves de fígado.
O segundo projeto é “Ação de células mesenquimais derivadas do tecido adiposo na regeneração de lesões cartilaginosas do joelho de coelhos”, coordenado pela professora e pesquisadora Sara Teresinha Ollala Saad, do Departamento de Clínica Médica.
A cartilagem do joelho é incapaz de se reparar normalmente num processo de cicatrização espontâneo. As medidas terapêuticas adotadas para o seu tratamento, até o momento, se mostram ineficientes. A Engenharia de Tecidos pode ser uma resposta para este problema. Inúmeras pesquisas têm demonstrado a possibilidade de se obter colágeno do tipo II a partir de células mesenquimais de células adiposas obtidas na lipoaspiração. De acordo com a pesquisa, esponjas de colágeno tipo II obtidas com metodologia desenvolvida no Laboratório de Medicina Molecular da FCM serão implantadas em lesões produzidas no joelho de coelhos para comprovar a ação da regeneração cartilaginosa a partir das células-tronco. As células mesenquimais são uma derivação de células-tronco que podem se transformar em músculos, ossos, gordura e até cartilagem.
O terceiro projeto é “Avaliação do uso de células-tronco humanas derivadas de tecido adiposo na neovascularização de membros isquêmicos de camundongos – estudo pré-clínico a terapia celular na doença arterial periférica crônica (DAPc)”, da bióloga e doutoranda em medicina experimental pelo curso de Fisiopatologia Médica da FCM, Carolina Cotomacci. A orientação é da professora Joyce Maria A. Bizzacchi, do Hemocentro.
A DAPc é uma doença oclusiva arterial crônica de membros inferiores causada por aterosclerose. É uma das causas mais comuns de dor e incapacidade dos membros inferiores e está associada à morbidade e mortalidade. “O objetivo deste trabalho consiste em promover a neovascularização em membros isquêmicos pelo uso de células-tronco derivadas de tecido adiposo de doadores humanos normais e avaliar sua eficiência para futuros tratamentos baseados em terapia celular”, explicou Carolina. A pesquisadora também desenvolve outro projeto na mesma área com células-tronco provenientes de medula óssea.
A última pesquisa aprovada CNPq é do professor William Belangero, do Departamento de Ortopedia da FCM e envolve a obtenção de células-tronco a partir de sangue de cordão umbilical e de tecido adiposo. O Grupo de Terapia Celular da Unicamp teve mais três pesquisas aprovadas em novembro deste ano com o projeto Universal editado também pelo CNPq para as áreas de Ciências da Vida. O edital Universal recebeu cerca de 11 mil propostas e foram aprovados 2.550 projetos. O investimento total nas pesquisas será de R$ 100 milhões.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
A grande discussão continua, Religião x Ciência.
Há muito que se pensar a respeito desse assunto, ficamos confusos e divididos entre a crença e a esperança.
A religião nos traz a crença de que o Criador nos presenteou com os dons da VIDA, do CONHECIMENTO, da LIBERDADE e do AMOR; mas condena o uso da LIBERDADE e do CONHECIMENTO para fins que podem salvar a VIDA.
Me pergunto então, onde está o AMOR? Não está em dar a vida ao próximo? Em usar as virtudes com que Deus nos presenteou para ajudar as pessoas que precisam?
As respostas para essas perguntas são difíceis de serem encontradas, já que cada um de nós faz seu próprio julgamento do que é certo ou errado, usando assim outro dom a nós concebido, o LIVRE ARBITRIO.
Se não nos é permitido usufruir de nossos dons, por que nos foram dados então?
Quando descobrimos algo que pode ajudar na cura de várias doenças, que trará de volta o prazer de viver, talvez seja a vontade de Deus, afinal, Ele tudo sabe e tudo vê; foi Ele quem escreveu nossos caminhos, quem nos criou; e sabe exatamente o que faremos desde o dia do nosso nascimento até a nossa morte.
Se as Células tronco embrionárias não forem introduzidas no útero, não se transformarão em um embrião, se ficarem congeladas não vão ser nada.
Quantos óvulos são jogados fora ao longo da vida, até que a mulher engravide. Quantos espermatozóides são jogados fora até que um deles encontre um óvulo dentro de um útero e se torne um embrião? Por que não junta-los para um bem maior? Serão desperdiçados.
Essa discussão vai continuar por muito tempo, como já disse anteriormente, cada um faz seu próprio julgamento; só quem precisa é que sabe o bem que uma célula dessas pode fazer.
Eu como uma Cristã fico confusa sim, me divido entre a opinião da Igreja e os resultados das pesquisas.
Mas, por enquanto, posso estar errada e até indo contra os princípios da religião, porém sou a FAVOR do uso das células embrionárias.
A religião nos traz a crença de que o Criador nos presenteou com os dons da VIDA, do CONHECIMENTO, da LIBERDADE e do AMOR; mas condena o uso da LIBERDADE e do CONHECIMENTO para fins que podem salvar a VIDA.
Me pergunto então, onde está o AMOR? Não está em dar a vida ao próximo? Em usar as virtudes com que Deus nos presenteou para ajudar as pessoas que precisam?
As respostas para essas perguntas são difíceis de serem encontradas, já que cada um de nós faz seu próprio julgamento do que é certo ou errado, usando assim outro dom a nós concebido, o LIVRE ARBITRIO.
Se não nos é permitido usufruir de nossos dons, por que nos foram dados então?
Quando descobrimos algo que pode ajudar na cura de várias doenças, que trará de volta o prazer de viver, talvez seja a vontade de Deus, afinal, Ele tudo sabe e tudo vê; foi Ele quem escreveu nossos caminhos, quem nos criou; e sabe exatamente o que faremos desde o dia do nosso nascimento até a nossa morte.
Se as Células tronco embrionárias não forem introduzidas no útero, não se transformarão em um embrião, se ficarem congeladas não vão ser nada.
Quantos óvulos são jogados fora ao longo da vida, até que a mulher engravide. Quantos espermatozóides são jogados fora até que um deles encontre um óvulo dentro de um útero e se torne um embrião? Por que não junta-los para um bem maior? Serão desperdiçados.
Essa discussão vai continuar por muito tempo, como já disse anteriormente, cada um faz seu próprio julgamento; só quem precisa é que sabe o bem que uma célula dessas pode fazer.
Eu como uma Cristã fico confusa sim, me divido entre a opinião da Igreja e os resultados das pesquisas.
Mas, por enquanto, posso estar errada e até indo contra os princípios da religião, porém sou a FAVOR do uso das células embrionárias.
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