O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (DECIT/SCTIE/MS) divulgaram as 49 pesquisas com células-tronco que receberão um total de R$ 10 milhões para o desenvolvimento de procedimentos terapêuticos inovadores na área de terapia celular. Destas pesquisas, quatro são desenvolvidas e coordenadas pelo Grupo de Terapia Celular (GTC) da Unicamp.
O GTC envolve pesquisadores das disciplinas de Reumatologia, Neurologia, Cirurgia Plástica, Ortopedia, Gastrocirurgia, Transplante de Fígado e Cirurgia Pediátrica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), Instituto de Biologia, Cemib, CPQBA, Instituto de Física, Laboratório Síncroton, Instituto de Química da Unicamp e pesquisadores colaboradores do Instituto de Química da USP e de São Carlos.
“O Grupo de Terapia Celular é multidisciplinar e envolve o Hemocentro, responsável pelo processo de obtenção de células-tronco a partir de sangue de cordão umbilical humano, de tecido adiposo e de medula óssea”, explicou Ângela Luzo, coordenadora do Banco de Sangue de Cordão Umbilical do Hemocentro da Unicamp.
Três dos projetos aprovados pelo edital do CNPq envolvem pesquisas com células-tronco a partir do tecido adiposo, uma tendência mundial de acordo com Ângela Luzo. A razão de pesquisadores estarem usando esse tipo de célula se deve ao fato do processo para a obtenção das células-tronco do tecido adiposo conhecido como lipoaspiração ser menos invasivo e requerer apenas anestesia local. Outra vantagem é que essas células são mais fáceis de serem separadas e cultivadas in vitro.
O primeiro projeto aprovado que envolve essa linha de pesquisa é “Avaliação da capacidade de células mesenquimais obtidas de sangue de cordão umbilical e de tecido adiposo humanos na diferenciação para hepatócitos”, coordenado pela professora e pesquisadora do Departamento de Cirurgia da FCM, Ilka de Fátima Santana Ferreira Boin.
O transplante de fígado, apesar de ser uma excelente arma terapêutica para os pacientes portadores de insuficiência hepática grave, está sujeito à viabilidade de órgãos doados. A utilização de células-tronco na regeneração do fígado poderia melhorar o quadro hepático dos pacientes que aguardam na fila do transplante. De acordo com a pesquisa, a comprovação de que células mesenquimais obtidas de sangue de cordão e de tecido adiposo teriam capacidade de diferenciação para linhagem hepática possibilitaria, num futuro próximo, a sua utilização em pacientes com problemas graves de fígado.
O segundo projeto é “Ação de células mesenquimais derivadas do tecido adiposo na regeneração de lesões cartilaginosas do joelho de coelhos”, coordenado pela professora e pesquisadora Sara Teresinha Ollala Saad, do Departamento de Clínica Médica.
A cartilagem do joelho é incapaz de se reparar normalmente num processo de cicatrização espontâneo. As medidas terapêuticas adotadas para o seu tratamento, até o momento, se mostram ineficientes. A Engenharia de Tecidos pode ser uma resposta para este problema. Inúmeras pesquisas têm demonstrado a possibilidade de se obter colágeno do tipo II a partir de células mesenquimais de células adiposas obtidas na lipoaspiração. De acordo com a pesquisa, esponjas de colágeno tipo II obtidas com metodologia desenvolvida no Laboratório de Medicina Molecular da FCM serão implantadas em lesões produzidas no joelho de coelhos para comprovar a ação da regeneração cartilaginosa a partir das células-tronco. As células mesenquimais são uma derivação de células-tronco que podem se transformar em músculos, ossos, gordura e até cartilagem.
O terceiro projeto é “Avaliação do uso de células-tronco humanas derivadas de tecido adiposo na neovascularização de membros isquêmicos de camundongos – estudo pré-clínico a terapia celular na doença arterial periférica crônica (DAPc)”, da bióloga e doutoranda em medicina experimental pelo curso de Fisiopatologia Médica da FCM, Carolina Cotomacci. A orientação é da professora Joyce Maria A. Bizzacchi, do Hemocentro.
A DAPc é uma doença oclusiva arterial crônica de membros inferiores causada por aterosclerose. É uma das causas mais comuns de dor e incapacidade dos membros inferiores e está associada à morbidade e mortalidade. “O objetivo deste trabalho consiste em promover a neovascularização em membros isquêmicos pelo uso de células-tronco derivadas de tecido adiposo de doadores humanos normais e avaliar sua eficiência para futuros tratamentos baseados em terapia celular”, explicou Carolina. A pesquisadora também desenvolve outro projeto na mesma área com células-tronco provenientes de medula óssea.
A última pesquisa aprovada CNPq é do professor William Belangero, do Departamento de Ortopedia da FCM e envolve a obtenção de células-tronco a partir de sangue de cordão umbilical e de tecido adiposo. O Grupo de Terapia Celular da Unicamp teve mais três pesquisas aprovadas em novembro deste ano com o projeto Universal editado também pelo CNPq para as áreas de Ciências da Vida. O edital Universal recebeu cerca de 11 mil propostas e foram aprovados 2.550 projetos. O investimento total nas pesquisas será de R$ 100 milhões.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
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