sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Cientistas descobrem células-tronco 'adormecidas'

Cientistas da Alemanha e Suíça identificaram em ratos de laboratório um grupo de células-tronco que se mantêm adormecidas no corpo durante boa parte da vida e cujo uso pode ser mais eficaz no tratamento de câncer do que as células-tronco comuns.

A descoberta foi anunciada na edição desta quinzena da revista científica Cell. De acordo com os pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer, da Escola Politécnica Federal da Suíça e do Instituto Ludwig para Pesquisa do Câncer, o tipo de célula-tronco identificado somente sai do estado de "adormecido" em casos de ferimentos graves ou hemorragias, quando passa a se dividir para repor as células perdidas pelo corpo.

Nos ratos, as células-tronco "adormecidas" costumam se dividir apenas cinco vezes ao longo da vida. Em humanos, isso corresponderia a uma divisão a cada 18 anos, enquanto as células-tronco ativas se dividem pelo menos uma vez ao mês.

Os cientistas ressaltaram, porém, que, em caso de emergência, como um ferimento na medula, as células adormecidas "despertam". Acordadas, elas possuem o potencial mais alto de se auto-renovar já visto em células-tronco. "O corpo mantém suas células-tronco mais potentes como uma reserva secreta para emergências e as esconde em 'cavernas' da medula óssea", explica o cientista Andreas Trumpp, chefe da pesquisa. "Se a medula é danificada, elas começam imediatamente a se multiplicar diariamente, porque o organismo precisa de novas células."

Para Trumpp, essa descoberta pode ajudar a entender melhor as células-tronco cancerígenas. "Essas células provavelmente também ficam em estado dormente na maior parte do tempo", afirmou. "Acreditamos que é por isso que muitas são resistentes aos vários tipos de quimioterapia." Segundo o pesquisador, se os cientistas conseguissem "acordar" essas células antes de um paciente receber tratamento, seria possível eliminá-las e, assim, tratar o câncer de maneira muito mais eficaz.

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