quarta-feira, 29 de julho de 2009

Hungria prende 4 por tratamento ilegal com célula-tronco

Quatro pessoas foram presas sob suspeita de realizarem tratamentos ilegais e não-testados com células-tronco numa clínica privada da Hungria, usando embriões e fetos abortados, disse nota divulgada na noite de terça-feira no site oficial da polícia local.


Os suspeitos -- dois húngaros, um norte-americano e um ucraniano -- foram detidos em 27 de julho quando se preparavam para tratar um novo paciente. A polícia disse que realizou a prisão devido a "suspeitas de uso proibido do corpo humano".


"Há suspeitas bem fundadas de que um cidadão dos EUA, chamado Julliy B., teria realizado tratamentos com células-tronco por dinheiro dentro de um laboratório húngaro de pesquisas com células-tronco e uma clínica privada de propriedade húngara, desde 2007", disse a polícia.


O suspeito ucraniano preparava as dosagens de células-tronco, e os pacientes em geral pagavam cerca de 25 mil dóloares por tratamento, segundo a nota.


(Reporagem de Krisztina Than)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

UFSC estuda células-tronco a partir de placenta e de cordão umbilical

Lixo em muitas maternidades brasileiras, cordões umbilicais e placentas são fundamentais em pesquisas na UFSC. Professores e estudantes do Laboratório de Neurobiologia e Hematologia Celular e Molecular estão buscando avançar o conhecimento no campo de células-tronco a partir da investigação destes materiais. Uma das vantagens é que o uso destes tecidos não acarreta problemas éticos e religiosos, como no caso das células-tronco embrionárias. As células-tronco têm capacidade de se transformar em diferentes tecidos e sobre elas estão depositadas esperanças para melhoria do tratamento do câncer, de doenças cardíacas e neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer.

Pesquisas recentes vêm mostrando que o sangue do cordão umbilical e da placenta possui células-tronco. Entretanto, não se sabe ainda como acontece a diferenciação destas "matrizes" em outras células. O laboratório da UFSC, ligado ao Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética, do Centro de Ciências Biológicas, estuda a transformação de dois tipos específicos de células-tronco: as hematopoéticas e as mesenquimais. A equipe usa placenta e cordão umbilical dos partos realizados no Hospital Universitário.

As células-tronco hematopoéticas estão ligadas à geração dos diversos constituintes do sangue. Para tratamento de leucemias, tipo de câncer que compromete o desenvolvimento dos glóbulos brancos, por exemplo, é realizado o transplante de medula óssea, para substituição destas células. Atualmente já é possível utilizar o transplante com células-tronco hematopoéticas obtidas do cordão umbilical, mas estudos mostram uma baixa quantidade neste material para se pensar em sua utilização em um adulto. O maior potencial está na terapia em crianças. Por outro lado, por serem "imaturas" imunologicamente (estão em um estágio muito primário de desenvolvimento), as células-tronco hematopoéticas de cordão umbilical têm mais chances de serem bem aceitas pelo receptor – um dos maiores desafios em transplantes é a rejeição. Diante destes potenciais, a equipe da UFSC trabalha com a possibilidade de aumentar a quantidade de células-tronco no cordão umbilical, em um processo onde se busca sua amplificação in vitro. Neste caso o objetivo futuro é usar as células-tronco hematopoéticas como um medicamento, na chamada terapia celular.

Já as células-tronco mesenquimais são capazes de gerar tecido cardíaco e neural. A partir de sistemas in vitro, a equipe da UFSC estuda sua diferenciação em elementos do sistema nervoso. Em breve a pesquisa deve chegar a uma abordagem pré-clinica, com testes em animais. No caso das células mesenquimais, o grupo está desenvolvendo também experimentos em ovos de aves. Células-tronco de cordão umbilical e de placenta são injetadas nos vasos sanguíneos dos ovos e os pesquisadores observam sua capacidade de reconhecer pontos específicos. "Imagine que você quer tratar uma lesão no córtex, injeta as células-tronco e elas vão se alojar em outro local do cérebro", explica o professor Marcio Alvarez-Silva, coordenador dos estudos, exemplificando a importância desse tipo de avaliação.

Segundo ele, os estudos com células-tronco mesenquimais usando ovos de aves são pioneiros no Brasil e o mapeamento da trajetória envolve questões bastante complexas. "Se a célula reconhece o local para onde deve ir, pode haver uma interação cerebral/molecular", considera o professor. Nessa linha, o grupo trabalha também com o desenvolvimento de traçadores fluorescentes, para acompanhar o deslocamento da célula-tronco e o local em que vai se alojar. Estes estudos são importantes para determinar in vivo quais os possíveis pontos de interação das células em um organismo receptor, possibilitando sua previsibilidade.

Mas, ainda que apresentem potencial considerável para as pesquisas, as células-tronco obtidas a partir do cordão umbilical e da placenta ainda têm comportamento bastante desconhecido e existe o temor de que possam gerar tumores ao invés de reconstituir os tecidos. "Elas precisam ser muito bem caracterizadas dentro de uma visão da biossegurança", alerta o professor, satisfeito com a posição de estar em uma equipe que estuda situações inéditas do campo da medicina regenerativa.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

TRATAMENTO NEUTRALIZA DISTROFIA MUSCULAR

Experiência realizada em ratos Moléculas sintéticas bloqueiam a actividade de gene com defeito, neutralizando o RNA tóxico e permitindo aos doentes o normal relaxamento muscular.
Investigadores norte-americanos descobriram uma forma de bloquear um defeito genético que provoca a forma mais comum de distrofia muscular, segundo um estudo publicado na Science. A investigação, realizada em ratos, permitiu verificar que os animais que receberam um composto que neutraliza a actividade do gene portador daquela anomalia voltaram a usar os músculos afectados pela distrofia miotónica. Os autores recorreram a moléculas sintéticas para bloquear a actividade daquele gene específico, neutralizando o RNA tóxico e permitindo aos doentes o normal relaxamento muscular. Os resultados do estudo são, segundo os investigadores, bastante promissores e abrem novas perspectivas no tratamento da doença no homem

Especialistas chineses desenvolvem ratos com células da pele

Pesquisadores chineses conseguiram desenvolver células-tronco a partir da pele do rato e usá-las para gerar filhotes férteis.

Eles usaram células da pele de pluripotência induzida, ou células iPS - reprogramadas para parecerem e agirem como células-tronco embrionárias. As células-tronco embrionárias, retiradas de embriões com apenas alguns dias, têm a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula e, nos ratos, podem ser implantadas no útero de uma fêmea para criar filhotes de rato.

A experiência dos cientistas, publicada na Nature, indica que é teoricamente possível clonar alguém usando células comuns do tecido conjuntivo encontradas na pele de uma pessoa, mas os especialistas procuraram se afastar das polêmicas desse tipo.

"Estamos confiantes de que um bem tremendo poderá vir da demonstração da versatilidade das células reprogramadas nos ratos e de que essa pesquisa será usada para compreender as causas de doenças e levar a tratamentos viáveis e à cura de males humanos", disse Fanyi Zeng, do Instituto Xangai de Genética Médica da Shanghai Jiao Tong University.

"Não seria ético tentar usar as células iPS na reprodução humana. É importante para a ciência ter limites éticos", afirmou ela, acrescentando que o estudo "de forma nenhuma indicava um primeiro passo nessa direção".

Nunca ninguém clonou um ser humano e muitas experiências com células-tronco em ratos - mas não todas -- são repetidas em humanos.

Liderada por Qi Zhou no Laboratório de Biologia Reprodutiva State Key da Academia Chinesa de Ciências, a equipe desenvolveu células iPS usando fibroblastos de rato, que são as células encontradas no tecido conjuntivo da pele.

As células-tronco são as células-mestre do corpo, dando origem a todos os tecidos, órgãos e ao sangue. As células-tronco embrionárias são consideradas o tipo mais potente de células-tronco, pois têm o potencial de dar origem a qualquer tipo de tecido.

Mas a sua produção é difícil e requer o uso de um embrião ou de tecnologia de clonagem. Muitas pessoas se opõem ao uso de células-tronco embrionárias humanas e diversos países limitam o financiamento a tais experiências.

A partir das células da pele, os cientistas chineses criaram 37 linhagens de células-tronco e, a partir destas, três nascimentos.

"Uma linhagem é capaz de gerar ratos adequados e o que temos que está vivendo há mais tempo tem nove meses", disse Zeng à Reuters.

"Ele já gerou mais de 100 (ratos) da segunda geração e mais de 100 (ratos) da terceira geração. Isso demonstra como o sistema é fértil e forte."

A experiência chinesa provocou dúvidas e cautela entre outros pesquisadores de células-tronco não associados ao estudo.

"Esses pesquisadores demonstraram, pela primeira vez e de modo inequívoco, que as linhagens de iPS desenvolvidas por eles são verdadeiramente pluripotentes", escreveu Andrew Laslett, líder de grupo de Tecnologia de Célula-Tronco Embrionária Humana no Centro Australiano de Célula-Tronco em Melbourne, na Austrália.

Pluripotente é um termo que significa que as células podem dar origem a todos os tecidos do corpo.

"Entretanto, a estabilidade no longo prazo tanto das linhagens de células iPS e da saúde no longo prazo dos ratos gerados usando esse procedimento ainda têm de ser reportados. Será interessante observar se os ratos gerados dessa forma têm uma propensão maior para a formação de tumores", escreveu Laslett. (Fonte: Estadão Online)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Estudo com Células-tronco permitem reparar lesões do coração

Cientistas conseguiram pela primeira vez reparar lesões no coração causadas por uma crise cardíaca, através da utilização de células-tronco, segundo estudo publicado nesta segunda-feira na revista americana Circulation.


Pesquisas com ratos constituem uma primeira tentativa de utilização de células pluripotentes induzidas (conhecidas como células iPS, na sigla em inglês) para tratar enfermidades cardíacas.


O objetivo deste estudo é garantir, para algum dia, a utilização de células-tronco de um paciente para reparar o próprio coração, em vez de se recorrer a transplantes, uma intervenção de risco e complicada pela escassez de doadores de órgãos e pelos perigos de rejeição a um órgão estranho.


As iPS adultas, que servem para a renovação de tecidos e são capazes de produzir diferentes tipos de células humanas, representam uma alternativa promissora às células-tronco embrionárias por não apresentarem os problemas éticos destas últimas, que exigem a destruição do embrião.


"Poderíamos ser capazes de modificar células adultas e fabricar 'a pedidos' um tratamento regenerativo cardiovascular", assegura o autor dos estudos, Andre Terzic, da Clínica Mayo de Rochester (Minnesota, norte).


O cientista e sua equipe reprogramaram células geneticamente de modo a convertê-las em células-tronco capazes de se desenvolverem no músculo cardíaco.


Em seguida, foram transplantadas para o coração lesionado de ratos; em quatro semanas, a equipe comprovou que as células conseguiram paralisar o aumento de danos estruturais provocados pela crise cardíaca, além de restabelecer a capacidade do músculo cardíaco e regenerar os tecidos danificados.


Cientistas americanos e japonenes conseguiram, em 2007, transformar células da pele humana em células iPS, inaugurando um acesso potencialmente ilimitado à substituição de tecidos e órgãos destruídos. Até agora, não foram autorizadas os testes dessas terapias em humanos.


Fonte: Ultimo Segundo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Bahia terá centro especializado em células-tronco

Será inaugurado nesta sexta-feira (17/7) o Centro de Biotecnologia e Terapia Celular (CBTC), único das regiões Norte e Nordeste do Brasil credenciado pelo Ministério da Saúde para pesquisas com células-tronco. A iniciativa é resultado de um convênio entre o Hospital São Rafael (HSR) e a Fiocruz. O CBTC deverá impulsionar as pesquisas com células-tronco em doenças hepáticas, cardíacas, neurológicas e renais.


O Centro também atuará na produção de células-tronco induzidas, ou seja, células-troncos produzidas a partir de tecido da pele, por exemplo, mas que se comportam como células-tronco embrionárias. O investimento em infraestrutura e equipamentos foi de US$ 10 milhões. Estarão presentes ao evento de inauguração o ministro da Saúde, José Gomes, Temporão, o presidente da Fundação, Paulo Gadelha e o diretor do Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz (Fiocruz Bahia), Mitermayer Galvão dos Reis.

Menina brasileira faz tratamentos com células-tronco na China

A menina Clara Pereira, de um ano e nove meses de idade, recebeu uma série de seis injeções com células-tronco como tratamento para a paralisia cerebral que possui desde o nascimento. A família de Clara, uma das primeiras crianças brasileiras com essa condição a se tratar na China, optou pelo tratamento na China após não encontrar terapia semelhante no Brasil.
A paralisia cerebral de Clara foi causada pela falta de oxigenação das células cerebrais durante o nascimento.


Embora tenha uma inteligência normal, ela perdeu boa parte dos seus neurônios responsáveis pela coordenação motora, por isso não caminha, engole ou fala. No caso de Clara, os médicos esperam que as células-tronco criem novos neurônios na área afetada do cérebro, para que a menina possa desenvolver habilidades motoras.



De acordo com o pediatra Carlos Alexandre Ayoub, do Centro de Criogenia Brasil, a cada dia surgem novas técnicas e aplicações para as células-tronco. "As propriedades das células-tronco são importantes também para doenças raras que necessitem de regeneração", afirma.


Contudo, o médico é enfático na necessidade da pesquisa para qualquer uso de células-tronco, antes do início de tratamentos em humanos. "Não concordamos com tratamentos sem base científica e sem comprovação ética de resultados", afirma Ayoub.


Hoje, mais de 300 doenças estão em fase final de testes, com resultados positivos e surpreendentes. No futuro espera-se reconstituir órgãos inteiros com células-tronco, não dependendo mais de transplante. "É por isso que cada vez mais casais buscam coletar e armazenar as células-tronco do cordão umbilical de seus bebês", explica o médico Carlos Ayoub.