Coincidência ou não, bastou o presidente Barack Obama tomar posse e o FDA, a agência reguladora americana Food and Drug Administration, liberou os primeiros testes clínicos com células-tronco embrionárias (CTE) em pacientes com lesões de medula. A aprovação pelo FDA ocorre exatamente dez anos depois que as primeiras CTE foram isoladas por James Thomson na Universidade de Wisconsin. A pesquisa clínica será financiada por uma empresa particular, a Geron.
Por enquanto, só pesquisaNotícias como essas detonam uma avalanche de pedidos de pessoas se oferecendo como voluntários para serem cobaias humanas. É importante deixar claro que, por enquanto, é só uma pesquisa. É a chamada fase 1, que vai avaliar a segurança do método ainda sem grandes expectativas de benefício clínico. A experiência vai envolver de oito a dez pacientes, todos com uma lesão grave e recente da medula espinhal, ou seja, no máximo duas semanas depois de terem sofrido o acidente. A expectativa é de que se obtenham resultados melhores em uma lesão recente, ainda não cicatrizada. Por outro lado existe uma desvantagem em analisar resultados clínicos em pessoas que acabaram de se acidentar, avaliando quanto da recuperação ocorreria espontaneamente, em decorrência de fisoterapia e como resultado das injeções de células-tronco. Mas experiências em humanos são assim mesmo. Não existe a situação perfeita.
Como serão os testes?Nessa experiência terapêutica, as CTE serão cultivadas com vários fatores de crescimento para que elas se diferenciem em células precursoras de células nervosas e não em outro tipo celular. Não podemos esquecer que as CTE embrionárias têm o potencial de formar tumores. De acordo com a empresa Geron, as CTE humanas que serão injetadas em pacientes já foram testadas em camundongos por mais de um ano e não formaram tumores. Além de tumores, porém, as CTE têm a propriedade de se diferenciar em qualquer tipo de célula. Uma vez injetadas, perdemos o controle sobre elas. É esse o perigo. Imaginem se, ao invés de neurônios, elas formem outro tipo de tecido, como osso ou cartilagem, por exemplo, no local da lesão. Seria um desastre.
A expectativa será enormeEspera-se que as células injetadas tenham a capacidade de restaurar a mielina, a bainha que envolve as células nervosas, e devolvam assim a capacidade de algumas células de transmitirem sinais nervosos. Há também esperança que fatores de crescimento produzidos pelas células injetadas possam ajudar na regeneração de células danificadas. Mas os pesquisadores envolvidos estão com os pés no chão. Sabem que serão necessários vários anos antes de podermos falar em tratamento.
E o Brasil, como fica?Foi dado o pontapé inicial. Injetar pela primeira vez células-tronco embrionárias humanas em pacientes é um passo extremamente importante. Essa experiência terapêutica que acaba de ser aprovada nos Estados Unidos pode nos ensinar muito. Ela confirma que valeu a pena, e muito, batalharmos pela liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias no Brasil. Vamos acompanhar de perto os resultados obtidos com esses pacientes para decidir qual será a melhor estratégia a ser adotada. Dessa forma, poderemos pular etapas. Por enquanto, não perdemos nada em observar e esperar.
Por: Mayana Zatz
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário