A capacidade de reprogramar células, como se fossem computadores,para que elas se comportem de forma mais útil para os cientistas foieleita pela revista científica americana "Science" como o principalavanço do 2008.
De fato, não é pouca coisa. A revolução começou, na verdade, ao finaldo ano passado, quando cientistas japoneses conseguiram reprogramarcélulas humanas de pele para que elas se comportassem como células-tronco embrionárias -- um feito que, em tese, poderia eliminar asbarreiras éticas que até então atrapalhavam, em muitos países,pesquisas desse tipo.
"Em tese" porque ainda era preciso provar que essas célulasreprogramadas podiam mesmo fazer as vezes das que são extraídas deembriões. E foi isso que os cientistas conseguiram começar ademonstrar em 2008.
Do avanço com as pesquisas emergiram os primeiros modelos de doençaem laboratório -- células especialmente reprogramadas para simularcomo certas enfermidades se comportam.
Durante 2008, um grupo de cientistas conseguiu transformar células depele em neurônios e células gliais que sofriam com esclerose lateralamiotrófica. Uma semana depois, outro grupo produziu células com dezdoenças diferentes (entre elas, distrofia muscular, diabetes tipo 1 esíndrome de Down).
A expectativa é a de que no ano que vem essas células possam formarmodelos mais complexos, que ajudarão a produzir novos tratamentoscontra essas doenças devastadoras e hoje incuráveis.
Mas a "Science" destaca que ainda há barreiras a serem transpostaspara que essas células reprogramadas atinjam um status em que seráseguro usá-las em tratamentos. Hoje, o método mais eficaz paraproduzi-las envolve o uso de um vírus, o que poderia ameaçar opaciente que as recebesse de contaminação.
Além disso, há o fato de que os cientistas não sabem basicamente comoa inserção desses poucos genes por meio de um vírus operama "alquimia" de transformar um tipo de células em outro. Por isso,diante do conhecimento, não há garantias de que essas células possamreverter a seu estado original e causar danos -- ou mesmo um tumor --em vez de curar definitivamente o problema.
Muito trabalho pela frente, portanto, para que as célulasreprogramadas deixem de ser o "avanço do ano" da "Science" e passem aser esperança real para pacientes.
Os concorrentesA revista científica tem por hábito elencar outros nove avanços queconcorreram com o vencedor durante o ano. Confira os eleitos.
- Imagens de planetas extra-solares: pela primeira vez, astrônomosconseguiram obter imagens indiscutíveis do que seriam planetasgirando ao redor de outras estrelas, que não o Sol.
- Genes do câncer: grandes avanços foram feitos na decifração degenes ativos em células cancerosas de vários tipos, entre eles opancreático e o glioblastoma -- dois dos mais mortais.
- Super-supercondutores: Em 2008, cientistas conseguiram descobriruma segunda família de supercondutores de alta temperatura --estruturas que permitem a passagem de eletricidade sem resistência.
- Espionagem celular: Bioquímicos tropeçaram em grandes surpresas aoconseguir observar, em detalhes, como as proteínas se encaixam a seusalvos -- no famoso esquema chave-fechadura que costumamos aprender naescola.
- Energia renovável: Cientistas inventaram em 2008 um catalisador decobalto-fósforo que ajuda a produção de hidrogênio combustível apartir de água. Seria uma forma inteligente de armazenar energia quenão é produzida por fontes limpas e não é imediatamente usada.
- Embrião em evolução: Pesquisadores conseguiram monitorar aprogressão de cerca de 16 mil células num embrião do peixepaulistinha, após um dia de desenvolvimento.
- Gordura vira músculo: Um estudo demonstrou que a chamada gorduramarrom, definida como "boa" por ajudar a produzir calor para o corpo,pode ser transformada em músculo, e vice-versa.
- Vitória do Modelo Padrão: físicos conseguiram pela primeira vezrealizar os difíceis cálculos e demonstrar que a teoria que descrevea maioria das partículas e interações que ocorre no universo é capazde predizer quanta massa os prótons e nêutrons devem ter.
- Genomas para todo lado: Várias pesquisas demonstraram os avanços dagenômica em 2008. Desde o genoma completo de um câncer até uma porçãosignificativa do genoma do mamute, grandes avanços demonstraram que épossível baratear significativamente o custo da leitura de DNA.
Fonte: G1
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
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