terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Uma historia real de Superação e Otimismo

Fabrício Silva Rodrigues nasceu em 25/02/l981, em Franca (SP) e tem Distrofia Muscular de Duchenne, mal genético que só atinge meninos e é passado pelo cromossomo X, que vem da mãe. Aos poucos, seus portadores perdem a força muscular e o movimento de pernas e braços. Outros órgãos vão definhando até que o mal enfraquece pulmão e coração. Tudo isso leva inevitavelmente à morte precoce. Hoje, Fabrício usa uma máscara ligada a um aparelho (Bipap), que o ajuda a respirar e manter-se vivo. Com 27 anos, ele pode ser considerado um vencedor.

A história do jovem não é comum.


Maria de Fátima Silva teve três filhos - todos com algum tipo de limitação. O irmão de Fabrício, Rodrigo Eleandro Silva, tinha 21 anos quando morreu. Rodrigo também era portador da Distrofia Muscular de Duchenne. Sua irmã Ana Paula, 15, tem síndrome de Down. Contra todas as barreiras ele sobreviveu e publicou, indepentendemente, dois livros.


Isso, obviamente, não foi fácil. Fabrício percorreu um longo caminho de esforço, aprendizado e superação até chegar à realização de seu sonho e ver suas palavras em letra de forma.

Em primeiro lugar, aprender a ler e a escrever exigiu de Fabrício mais do que normalmente exige das pessoas sem os problemas que ele enfrenta. Nesse primeiro desafio, ele teve de enfrentar problemas de locomoção e de convivência que o impediram de freqüentar normalmente a escola. Aprendeu a ler e a escrever, em casa, com o auxílio de outras pessoas.

Outro grande esforço foi o de superar os problemas emocionais e psicológicos advindos naturalmente da convivência com o problema físico e da dificuldade para a interação social.

E, por fim, enfrentou o grande desafio de colocar no papel suas idéias, emoções e sensações, na tentativa de levar às pessoas sua compreensão e sentimento de mundo e dos seres.

Com relação aos dois livros publicados, seguem as próprias palavras do autor.
Livro À vida

O que aborda o livro?

Fabrício
- Falo sobre a exuberância da vida. A partir de fatos vividos, desenvolvo reflexões positivas. Exercito minha alma a vislumbrar a beleza contida em pequenas coisas. Acredito que a verdade maior pode ancorar nossa alma e não nos deixar perder em meio à tempestade, no mar dos nossos sentimentos. Pois nosso ser tende a embaçar nossa visão, impedindo-nos de ver a magnitude que está diante de nossos olhos. Quando somos capazes de ouvir a razão da alma, ancoramo-nos no cais da lucidez e sensatez, extingue-se toda tormenta interior. O mundo, que nos rodeia, nos aponta para o caminho do equilíbrio Divino. Além disso, no livro se nota facilmente minha alma de sonhador, meu espírito de lutador, minha essência inocente e meu amor pela humanidade. O livro é composto de uma mistura de poemas e crônicas simples e poéticas. Penso que a beleza do livro está contida nas imagens descritas poeticamente, na clareza, por passar otimismo, pela atmosfera de espiritualidade e elevação que o envolve. Qual a principal mensagem que deseja passar aos seus leitores?Fabrício - Incentivar o leitor a começar a ver sua vida e suas experiências de outra forma, como vejo as minhas: belas, necessárias e meios de evoluir. Mostrar que a vida é muito mais do que nossos olhos pequeninos muitas vezes conseguem enxergar. Dizer que não devemos fixar os olhos nos espinhos, nos galhos secos e na escuridão da noite, pois, muito além disso, há um majestoso jardim repleto de flores, com formas bem definidas, brilho e colorido; que os obstáculos são apenas um pretexto que Deus encontrou para nos aperfeiçoar. Queria dizer que ser feliz não significa não sofrer. Uma grande parte de nosso sofrimento é criação nossa, com nossas confusões, erros, falta de equilíbrio e entrega a emoções que acabam nos enfiando em enrascadas. Por fim, queria escrever sobre a fé em Deus, para que as pessoas tivessem fé na vida.


Dados sobre o livro À vida. Capa e prefácioRoberto Telles Zanin. OrelhaRegina Helena Bastianini.75 páginasPublicação independenteLançado no dia 16 de fevereiro de 2008. Livro Vôo O que você aborda na obra Vôo?Fabrício - O "Vôo" representa minha vontade de me libertar das minhas debilidades e limitações. Muito mais que isso, ele retrata meus "vôos" – momentos em que consigo deixar minhas dores, medos e frustrações e me sinto iluminado, em contato com sentimentos que me fazem bem. Foi escrito em momentos em que busquei encontrar dentro de mim, sentido, equilíbrio, sensatez e em que, de alguma forma, sentir Deus falando no meu íntimo.


Além de refletir sobre fatos que vivo, também há uma grande parte do livro, onde reflito, sobre valores, necessidades e sentimentos.


O livro é bem variado, pois contém crônicas, baseadas em reflexões sobre fatos experimentados e interpretados em minha vida; poesias relacionadas a sentimentos e inspirações provindas de momentos vivenciados em minhas andanças por essa existência; e textos em prosa, que retratam momentos que tive e que gostaria de compartilhar com todos, para provocar reflexão e motivação.

Qual a principal mensagem que deseja passar aos seus leitores? Esta obra é direcionada a todo tipo de leitor, mas dedico-a especialmente àqueles que se sentem caminhando sem rumo, que se sentem como um pequeno barquinho em alto mar, em meio à escuridão da tempestade, sem bússola, sem sequer um pequeno farol ao longe.


Àqueles que se perderam, que se vêem entrelaçados entre tantos porquês, que se sentem sem forças para caminhar, digo que a vida tem um sentido, que existe uma trilha no meio da floresta.


Convido-os a traçarmos, juntos, o extenso mapa do existir.


Detalhes do livro Vôo. CapaIdealização: Fabricio Silva RodriguesFinalização: Roberto Telles Zanin. Imagem da Criança: Latinstock Brasil PrefácioMaria Luiza Lana Matos Salomão (psicanalista)OrelhaHigininho.138 páginasPublicação independente.Lançado no dia 22 de novembro de 2008.


Folhear os livros e ler os textos do escritor é realmente uma viagem a um universo mágico, que transcende os limites da mente e da alma e nos leva a refletir qual é o verdadeiro sentido da nossa existência. (Jornalista Fernanda Martins)

Entrevista

O que o motiva a escrever?

Fabrício -O desejo de levar ao mundo uma mensagem de paz, otimismo, fé e superação. Sempre me entristecia ao ver e ouvir crueldades, confusões, ódio, miséria e guerras, enfim, tudo de ruim que há no mundo. Tudo isso me causava indignação e vontade de fazer algo. Não queria ficar de mãos atadas, assistindo de camarote ao declínio da humanidade. E por perceber que escrever me faz bem e que, assim, posso me conhecer.


Utiliza a escrita como forma de extravasar?


Fabrício - Uso a escrita para extravasar meu ser sim, explorar minha imensa gruta interior, para descobrir tesouros ocultos e, quando estou escrevendo, me sinto iluminado, comovido e aberto a sentimentos bons. Parece que o céu se abre sobre mim, tenho a sensação de meu espírito querer saltar de dentro de mim e voar.


É preciso usar meios especiais para escrever?

Fabrício -Escrevo usando somente um dedo, manuseando o mouse, pois digito somente pelo teclado virtual que aparece na tela e digito letra por letra com a seta do mouse. Às vezes, uso o recurso de gravar os textos falando, e depois um amigo digita. Esse processo me ajuda a aproveitar mais meus momentos de inspiração, porque digitando pelo teclado virtual, levo alguns dias para escrever um texto.


Como é o processo de escrita, tanto a inspiração quanto o físico - a distrofia lhe impõe limitações?

Fabrício- Antes de começar a escrever, sempre faço uma oração, pedindo inspiração para que consiga extrair de mim o melhor. E coloco uma música suave para relaxar e as inspirações vão vindo. Há a dificuldade física, imposta pela limitação da distrofia. Tenho movimentos restritos, lentos, e não posso me esforçar em excesso.


A posição em que mais escrevo é deitado na cama, com o monitor na minha frente.


Todos esses fatores tornam o processo demorado. Outra dificuldade é encontrar as palavras que expressem exatamente tudo o que sinto. É complicado conciliar sentimentos e emoções com o raciocínio lógico.


Como é o dia-a-dia dos portadores da distrofia de Duchenne?

Fabrício - A rotina de um portador é muito complexa. Quando ainda não parou de andar é mais independente, mas quando se perde a mobilidade é preciso cuidado integral, pois não se consegue exercer nenhuma atividade sozinho. É preciso ajuda em tudo. Para quem cuida, exige muito tempo e dedicação, a maioria das mães abre mão de suas próprias vidas para se dedicarem aos filhos, pois nem sempre contam com ajuda. No caso de minha mãe é ainda pior, porque minha irmã [que tem síndrome de Down] também necessita de cuidados.

A solidão o assusta?


Fabrício - Tenho medo da solidão, pois vivi imergido nela durante muitos anos e sofri muito, mas faz alguns anos que as coisas começaram a mudar e hoje tenho alguns amigos. Porém, sempre me deparo com a solidão, às vezes é muito dolorido sentir necessidade de estar do lado de alguém e se ver sozinho entre paredes. Gosto sempre de ter amigos por perto.


Tem medo de morrer? Escreve para enganar a morte?


Fabrício -Sim, mas acredito que todos tenham medo de morrer, até porque a morte é algo desconhecido. Eu peço sempre a Deus que me dê ao menos tempo de escrever muitos livros e deixar minha marca na humanidade. É difícil, mas tento não olhar para a perspectiva de tempo de vida que os portadores de Duchenne tiveram, até porque nos últimos anos esse tempo tem aumentado com o avanço da medicina, com o uso do Bipap (aparelho que uso para ajudar a respirar), pois muitos faleciam cedo por falência respiratória, e todos, independentemente de ter ou não distrofia, estão sujeitos à morte repentina a todo instante. Outro aspecto da morte que me causa receio é querer continuar cuidando de minha mãe e minha irmã, porque de certa forma cuido delas, sempre vivo buscando alternativas e acalmando minha mãe quando está desesperada, sendo, assim, o porto seguro delas.


A morte sempre traz idéia de afastamento e dor, mas sei que na realidade morrer não existe. Embora todo temor que me permeia, no fundo, sei que quando chegar meu momento, sentirei um alivio, serei livre de limitações físicas e dificuldades emocionais. Sinto que apenas me diluirei em luz.


Fonte: Site ACADIM

Um comentário:

  1. Voce é um ser iluminado e tem muito que nos ensinar sobre lições de vida parabens ;sucesso em suas publicações ;que DEUS o abençoe e o ilumine.

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